Luiz alcides manreza foto


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O meu amigo neurocirurgião Luiz Alcides Manreza, mentor da lei sobre morte encefálica que permitiu a multiplicação dos transplantes no Brasil, passou a vida salvando vidas. Morreu sábado, aos 67 anos, de um enfarte fulminante, quando o avião já pousava no aeroporto de Miami, na véspera do Natal. Metade da família estava a bordo e a outra metade o esperava no aeroporto.
Foi como se tivéssemos perdido alguém da nossa família. Mariana, minha filha mais velha, e Roberta, a caçula de Manreza, estudaram juntas a vida toda, são jornalistas e juntas trabalham na televisão, apresentando o programa "Papo de Mãe", na TV Brasil.
São mais do que amigas, irmãs de fé.
Na manhã desta quinta-feira, 29 de dezembro, Roberta Manreza nos mandou a comovente carta de despedida que escreveu ao pai, enquanto a família aguarda a liberação do corpo em Miami.
Por isso, interrompo o breve período de trégua do blog neste final de ano para reproduzir abaixo esta bela prova de amor de uma filha pelo pai e aproveito para agradecer aos amigos Celso Amorim e Paulo Oliveira Campos, ao nosso consulado-geral em Miami e ao Itamaraty a generosa assistência que prestaram à família Manreza neste momento de dor.

Carta de despedida e homenagem ao Prof. Dr. Luiz Alcides Manreza, o melhor pai e melhor médico do mundo.

Pelo menos para mim, essa é a maior verdade, incontestável. O médico Luiz Alcides Manreza era um apaixonado pela profissão e não um apaixonado da boca para fora. Eu nunca vi em toda a minha vida meu pai reclamar de sair no meio da noite para atender a um caso, de solucionar pedidos de ajuda que vinham de todas as partes e de operar durante mais de dez horas, sempre disposto.

Até nas férias ele se metia a socorrer as pessoas. Prestar socorro a um banhista que pulou de uma pedra e bateu a cabeça no fundo do mar _ até aí, tudo bem, para um neurocirurgião. Mas engessar o braço das pessoas praia afora? Ele se achava Deus, dizem que os neurocirurgiões se sentem acima de tudo mesmo. Era convencido, sim! Eu ficava preocupada:
-Pai, mas você tem certeza que sabe o que está fazendo?
-Fica tranquila, Roberta, dizia ele, enquanto raspava os pelos do braço da vítima e engessava o braço quebrado, com gesso mesmo!

Quem conhecia o meu pai deve estar se perguntando: mas e o sangue espanhol do Luiz, catalão como ele gostava de dizer, leonino e vaidoso até o último fio de cabelo da charmosa careca dele? Tinha esse lado também. Meu pai conquistou a minha mãe, Maísa, quando cursava o quarto ano da Faculdade de Medicina da USP. Ela era caloura e ele a convenceu a fazer neuropediatria.

Meu pai era o típico "boa praça". Tudo estava bom para ele, mas era orgulhoso. Tinha vários amigos, era uma delícia conviver com ele. Muito inteligente, bom de papo, a memória do meu pai era irritante. Você podia falar com ele sobre qualquer assunto e meu pai adorava contar piadas. Eu nunca consegui contar direito uma piada na vida! Sempre esqueço parte da piada e ela fica sem graça. Ah, ele gostava também de fazer palavras cruzadas. Adorava.
Na profissão, um das maiores alegrias da vida dele foi ter sido diretor do Pronto Socorro do Hospital das Clínicas de São Paulo. Cargo que ele ostentava com muito orgulho e que lutou com unhas e dentes para preservá-lo. Dizem que lá ele salvou inúmeras vidas; vítimas de traumatismo craniano, balas e facadas na cabeça. Aliás, um dos muitos casos que ficaram famosos solucionados por ele foi de um homem com uma faca enfiada na cabeça. Foi operado e salvo. Era também diretor do Hospital São Luis.

Meu pai também se orgulhava de duas outras coisas na vida profissional dele. Autor do conceito de morte encefálica no Brasil, fazia parte da Sociedade Brasileira de Transplante de Órgãos e comemorava o sucesso da trajetória dos transplantes no país, hoje um trabalho reconhecido internacionalmente. Ele também fazia parte da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, da Sociedade Brasileira de Coluna e outras sociedades que eu não me lembro agora, me desculpe. Era delegado do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo.

Ele ainda falava com alegria da constribuição que deu para a criação do resgate do Corpo de Bombeiros. Recentemente, até foi homenageado no Corpo de Bombeiros. Quando eu era criança, lembro dele levar para casa uma boneca importada usada para treinar primeiros socorros. Boneca que, na época, acho que era a única no Brasil, e seria usada pelo pessoal dos bombeiros. Por isso, tenho hoje noções básicas de primeiros socorros.

Acima de tudo, ele amava viver. Era muito feliz, amava a família e fazia questão de estarmos sempre juntos, como agora. Perdi o meu porto seguro, o meu colo, o meu paizão para quem eu podia ligar a qualquer hora e fazer uma "consulta" para os amigos, para pedir um conselho ou, simplesmente, saber como ele estava. E ele estava sempre bem.

Minha mãe me falou que ele tem muitos pacientes antigos, aqueles que estão sempre no consultório, nos aniversários e no Natal, que vão sofrer, como nós estamos sofrendo. Os familiares e amigos, nem se fala.

Gostaria de agradecer todas as mensagens carinhosas e a ajuda que tenho recebido. Todas estão sendo de extrema importância nesse momento.

Pai,

Te amo, saudades.

Tenho muito orgulho de ser sua filha.

Bjs,

Roberta Manreza

http://r7.com/orzN

 

 


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